TECTÔNICAS por Geórgia Kyriakakis

crítica por: Daniel Diskin

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Na exposição ‘TECTÔNICAS’ da artista Geórgia Kyriakakis (formada em artes plásticas pela FAAP) podemos notar, em seus trabalhos, a influência de sua recente viagem à Patagônia, cujas paisagens e condições climáticas foram sua fonte de inspiração para reprodução das obras.  Desenhos, fotografias e esculturas formam as influências geográficas da Patagônia na criatividade artística de Geórgia, uma vez que ela utiliza dos fenômenos de desequilíbrio, equilíbrio e instabilidade do mundo e da natureza para efetuar suas obras.

Nesta exposição pude perceber a genialidade de um artista, no que se diz respeito à imitação de um processo da natureza. Uma vez que a relação entre a arte e natureza é um tema que acompanha a estética desde os tempos de Platão e Aristóteles.  O artista imita o produto da natureza, ou recria com sua imaginação – as paisagens, as frutas, os animais – ou até mesmo (imita) o processo criador da natureza. Geórgia se interessa pelo último que citei (natureza), já que a mesma é um processo infinito de criação, destruição e recriação.

Kyriakakis escolheu como tema de suas obras um fenômeno básico da criação artística: a força do desequilíbrio e do equilíbrio. A exposição ‘Tectônicas’ na Galeria Raquel Arnaud (galeria que completou 40 anos de existência) trata de forças invisíveis da natureza, tais como: gravidade, vento, e forças de resistência. Na obra ‘Vento’ a artista dá forma visível à força do vento e à flexibilidade, que quando somadas resultam na resistência.

Geórgia, em sua viagem à Patagônia, enfrentou ventos tão fortes que eram capazes de vergar as árvores, entortando-as com a força desse grande deslocamento veloz e poderoso de ar. A artista usa molduras que tendem (linha ascendente) ao mesmo sentido que as árvores estão no momento da foto graças ao vento (veja imagens abaixo):

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Geórgia criou, também uma série de fotos sobre os lagos da Patagônia, apresentados de uma forma totalmente inusitada,  pois as molduras são encobertas por um pó de ferro, para representar a terra no chão, entretanto, diferentemente do resto da fotografia, o pó escuro te força a visão (a partir do reflexo) para o chão, como se quisesse pousar os lagos das fotografias desajeitadas, que se equilibram com esse desarranjo da composição. (veja fotos abaixo) :

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Como principal obra de sua exposição, Geórgia trabalhou com enormes e pesadas (700 quilos em média) placas de ferros, de variados tamanhos e formatos, que se apoiam nas paredes e que se sustentam em pedras no chão, de modo que se inclinam até encostarem na parede, fazendo com que as arestas superiores formem uma linha horizontal perfeita (equilíbrio horizontal). Nas placas percebemos que foram recortadas letras vazadas formando palavras de termos geográficos, tais como : “estreito”, “pacífico” e “deserto”. Mais impressionante ainda é que as letras recortadas estão sobrepostas no chão, como se, no momento em que as placas de ferro foram levantadas para a parede, deixaram um rastro no chão. (veja fotos abaixo):

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As obras de Kyriakakis parecem sentir uma enorme atração pelo desequilíbrio, pelo risco, mas que depois oferece a si mesma uma possível estabilidade. É um processo de conciliação entre o caos desse desmoronamento e a necessidade de sentir que tudo está, ao mesmo tempo, no eixo. Como na obra dos ‘Vidros da Patagônia’ : deixar as placas presas à parede por um furo central (ponto gravitacional) girarem e decidirem seu equilíbrio natural, para que enfim, possa aplicar sobre os vidros tortos a fotografia de uma paisagem com a linha do horizonte paralela ao chão, retornando ao eixo e saindo do caos. (veja a foto abaixo):

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A artista permite, com a exposição, que tenhamos uma maior noção sobre a estética e a importância das formas, dos movimentos, cores, equilíbrios e desequilíbrios da natureza em uma obra de arte, que sempre passa pelo caos e depois remete ao eixo. Como a própria natureza em si, que não se encontra sempre no caos nem sempre no eixo, tendo oscilações, mas em geral mantendo a ordem de uma forma natural; e a linha horizontal que é presente na natureza e nas obras da artista.

Informações sobre o local:

– entrada sem custo;

-início da exposição dia 02/08/2014;

-encerramento da exposição dia 29/08/2014;

– aberto de segunda à sexta das 10-19H;

-aos sábados das 12-16H;

-endereço: Rua Fidalga, 125;

– arte contemporânea;

– link relacionado : http://www.raquelarnaud.com/  .

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